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Liliana Campos

Liliana Almeida, tem vinte e três anos e é senhora de uma grande simpatia e de um grande vozeirão.

Liliana Almeida, tem vinte e três anos e é senhora de uma grande simpatia e de um grande vozeirão.

Das Pop Stars às Non Stop, registou um percurso sinuoso, pelos bastidores da música nacional, pese o facto da tenra idade. Sem querer, até mesmo, um pouco a brincar, virou MC de grande sucesso na noite portuguesa, venceu com as Non Stop o Festival da Canção e quem sabe, não seja 2006, o ano do início da tão almejada internacionalização.

Eis Liliana Almeida, a menina de Albufeira.   

Como é que tudo começou?

Sempre gostei de cantar e em 2001, participei no programa de televisão Pop Star. 

Eras mais uma rapariga, que procurava aparecer na televisão?

Não, quem me inscreveu foram umas amigas e na altura, como era menor, já que só tinha 17 anos, até se colocaram alguns entraves. 

Como é que as coisas se desenrolaram?

Deixaram-me participar no casting, mas que por ser menor, teria que ir a Lisboa. Fui passando e acabei por chegar ao workshop. Aí, foram saindo cinco de cada vez, até ficarmos apenas dez. Nesse ano, lembro-me perfeitamente, a 4 de Abril, chegaram a minha casa e disseram-me que eu seria uma Pop Star. 

É aí que vens para Lisboa viver?

É. Não conseguia conciliar as viagens entre Lisboa e Albufeira com os espectáculos pelo meio. Vim viver para casa de uma amiga e depois, passei a viver sozinha. 

É quase um conto de fadas não?

No princípio, foi realmente muito bonito, mas depois, complicou-se. 

A ideia que fica para quem está de fora, é exactamente essa, foi um projecto complicado?

O primeiro álbum vendeu muito bem, o segundo já não tanto e como quem não vende, é colocado na prateleira pelas editoras, foi exactamente isso que nos aconteceu. É um mercado, que apenas vive do presente e trata os músicos como produtos. 

Presentemente, em que ponto estão?

Estamos de novo a começar do zero. 

Mantiveram-se sempre muito unidas ao longo dos anos. Qual foi o segredo?

A música e muita amizade. Sem isso não estaríamos juntas. 

Perante o quadro que me colocas, pergunto-te como é que subsistiam?

Não sei explicar, foi muito complicado. Tivemos que arranjar trabalhos paralelos e sempre que uma necessitava, as outras davam a mão, para além, de termos tido que arranjar espectáculos com produtoras paralelas. 

Actualmente, sem terem contrato assinado com ninguém, ganharam o Festival da Canção. Queres falar-me disso?

Para nós, foi complicado aceitar participarmos no FC, essencialmente, porque não acreditávamos na música. Fomos para a frente e tivemos a liberdade de fazer alterações no tema. Ganhámos, tendo feito apenas três ensaios. Acho que isso é bom. 

O facto de não terem agente nem editora, não vos abala como grupo?

Não, de maneira alguma e estamos preparadas para o que der e vier. 

Eu próprio, tinha uma ideia vossa, estilo “cantoras” de fachada, que podiam até ser grandes estrelas, mas que não sabiam cantar. Fiquei impressionado com o vozeirão que algumas possuem. Já houve mais gente a falar-vos do assunto?

Em Portugal, os membros das “girls bands”, regra geral não cantam. Nós, mesmo cantando, como “girls band” tivemos que viver e lutar contra esse preconceito. Íamos aos concertos e primeiro que as pessoas percebessem que éramos realmente nós que estávamos a cantar, foi complicado. 

De onde vem a designação Non Stop?

Fui eu que o criei. 

Quais são os vossos objectivos para o futuro?

Ganharmos o nosso espaço, a fazer aquilo em que acreditamos, que é, a nossa música. 

Alguma de vocês compõe?

Todas. O que se passou, foi que com uma editora por trás e na nossa situação, as coisas foram-nos sempre impostas. Os nossos dois primeiros álbuns, foram feitos com trabalhos, em que apenas demos o corpo e a voz. O terceiro álbum, garanto que não será assim. 

As vossas origens e referências musicais, são naturalmente diferentes. Como é que se dá a junção de tantas tendências?

Com muita naturalidade. Quando estamos a trabalhar, as coisas vão surgindo e acontecendo. Foi exactamente assim que nascemos. Complementamo-nos. 

Começaste agora a fazer alguns trabalhos de MC em discotecas e és de quem se fala. Queres falar-me do assunto, que no fundo, foi o que nos fez despertar a atenção para realizar esta entrevista?

Começou como uma brincadeira nas casas do Zé Gouveia, ou seja no W e no Dock`s, e de repente, começaram a surgir muitos convites para ir a outras casas. 

Pensaste, em fazer disso carreira?

Claro que não. Começou tudo como uma brincadeira e o facto de ter despertado a atenção das pessoas, é que me obrigou a ir ver e estudar as letras das canções. É giro. 

Como é que as restantes cantoras das Non Stop encararam isso?

Bem, inclusive, a maioria das vezes acompanham-me às casas onde vou actuar. 

E não sentem vontade de arriscar?

Umas têm vergonha e outras não possuem feeling para este género de trabalho. Gostam de estar presentes e divertem-se, mas não querem arriscar. 

Já tentaste trabalhar com algum dj?

Já tive um convite e o tema já surgiu várias vezes em conversa, mas todos nós sabemos, como é a noite. Hoje diz-se uma coisa e amanhã de manhã, a mesma está esquecida.  

Como lidas com isso?

Um pouco mal, porque sou do género de levar as ideias e projectos até ao fim. Era uma coisa que gostava de fazer. 

Actualmente, também estão a trabalhar nas sextas-feiras do Dock`s Club. Que tal?

É complicado descrever e não é fácil por vezes lidar com os clientes, alguns até que são fãs. Acontecem situações complicadas, porque a maioria dos jovens, julga que ser cantor é ser rico e as coisas não são assim. Se não tivermos trabalhos paralelos, não subsistimos. 

O vosso trajecto, não é fruto do primeiro contrato que assinaram?

É, mas tudo na vida tem o seu preço. 

Sei que já possuem um novo trabalho discográfico na sua fase final. Queres-me falar dele?

Para já, ainda não. Ainda é cedo. Posso realmente informar, que foge bastante daquilo que as pessoas nos viram até hoje fazer, mas há que aguardar. 

Pode-se saber, quando é que será apresentado?

Julgamos que ao longo do mês de Junho. 

Quais são os teus objectivos?

Continuar a lutar, para que as Non Stop tenham sucesso e quem sabe, consigam internacionalizar-se.

Para isso, a língua inglesa seria essencial, concordas?

Concordo, mas não quero tocar para já no tema. 

Voltarias a repetir tudo outra vez?

Claro que sim. Voltaria a assinar o mesmo contrato, no mesmo dia e com as mesmas pessoas. Os bons e maus momentos que vivi, fazem parte do meu trajecto na música.

Maio 2006



Fotos: Nuno Ribeiro


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